ELEONORA OLIOSI – UMA MESTRA

Eleonora Oliosi – Uma Mestra
Um magnífico e raro final de semana para a dança, especialmente, o ballet clássico. 
Assistir Eleonora Oliosi dando uma aula é entender porque ela dançou como dançou. Ela representa a arte em toda a sua capacidade de dar um peteleco na lógica dos cantados e decantados pré-requisitos para o ballet. O que Eleonora tinha era talento e vocação. Por isso o ballet a escolheu. 
Ouvindo suas correções me vi, comovida, retornando ao Theatro no qual dancei. Quem nunca dançou num teatro de grande porte, lírico, não sabe o que é. Nenhum aparelho substituirá uma orquestra; nenhum gravador substituirá um pianista de aula ou ensaiador. A tecnologia tem sua utilidade, não resta dúvida, mas está muito longe de substituir o ser humano, suas falhas, seus grandes momentos, a junção da música e da dança numa única respiração. Aparelhos não respiram. 
Não, Eleonora não estava ali inventando a roda. A roda já foi inventada. Nada de pé flex, frappé assim ou assado, mimimi de aula de ballet de quem espera um milagre que o faça dançar sem grande esforço. Ela falava de dança, de preparações, de musicalidade, de respiração, de ligação de movimentos, de expressão, braços, cabeças. Ela falou de felicidade por estar dançando, falou do tutu; ela falou de amor. E trouxe consigo o mundo do teatro de grande porte, do público, da platéia às galerias, da projeção do bailarino, da exatidão das terminações, mesmo num simples exercício da barra, da unidade de uma companhia que começa a ser trabalhada desde a aula. Ela trouxe o maestro para a aula, dirigia-se a ele como se ali ele estivesse. A pianista acompanhadora – como tudo no ballet, uma especialização – era o maestro; estejamos atentos a ele, dirijamos-nos a ele depois do “espetáculo”. 
Esperamos que os que tiveram a chance, não de executar suas sequências, isso pouco importa, mas de ouvir o que ela tinha a dizer, lembrem de suas palavras e revejam sua imagem mostrando. O que grandes mestres mostram não tem nada a ver com perfeição técnica, físico apurado, perna na cabeça, giros e mais giros. 
Eles trazem VIVÊNCIA, BAGAGEM, COISAS QUE NÃO SE APRENDE EM LIVROS, MUITOS MENOS EM CURSOS DE GRADUAÇÃO. 
Eleonora, muito querida amiga, obrigada por poder ver e aprender com você. Receba meu amor, amizade e eterna admiração.

Eleonora Oliosi

Uma resposta to “ELEONORA OLIOSI – UMA MESTRA”

  1. Déborah Barreto Says:

    Minha querida mestra Eleonora! Que saudades! E vc Eliana querida, obrigada por compartilhar estas palavras incríveis de pura sensibilidade!
    Bravo!❤️

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