Um Ano Novo

Amanhã se encerra um longo ciclo em minha vida. Pela primeira vez acordei de meus sonhos esquerdistas para pensar no quanto humanos foram os meus amores, os que me protegeram e me amaram incondicionalmente. 
Sim, eles foram especiais, tão abertos para gostar, para receber, para se solidarizar, para oferecer a casa e a amizade, para não julgar; e para tentar agir com justiça sem propagar ideologias ou dogmas políticos. 
O ano que se inicia é o primeiro em que não tenho mais nenhuma proteção, nenhum mimo, ninguém a dar ou receber satisfação. Daqui, até o último dia, eu é que protegerei meu filho e meus netos. 
Todos viraram a esquina: vovô, papai, vovó, tivó, Dadá, mamãe, meus cachorros e Eric. Mas sinto que Deus e a vida foram me preparando para enfrentar tudo; sozinha. E me sinto em paz. Nem sempre estou feliz, às vezes sinto uma tristeza enorme, mas não sou triste; muito menos infeliz. Seria muito injusto ser infeliz depois de tanto que a vida me deu.
De todos os que me foram faltando nenhuma ausência é tão presente quanto a do Eric. Simplesmente, insubstituível. Adorava sua companhia, sua presença, sua melancolia, sua aguda sensibilidade artística e humana. Eu amava nossas conversas sobre tantas coisas que gostávamos juntos. E foram tantas, mesmo, que posso dizer que não sei onde terminava Eric e começava eu. 
Digo isto com a convicção de que vivi uma bênção, nem sempre oferecida a todos. As pessoas falam tanto em independência, em vida própria, problematizam tudo, conceituam tudo. Será que sabem viver? Será que se dão conta de que é maravilhoso misturar-se com o outro, com seu amor, com o pai de seu filho, e formar com ele, quem sabe, uma terceira pessoa? Será que sabem que dar satisfação é ótimo, que dizer que vai sair ou a que horas vai voltar é confortador, que aguardar a volta de uma viagem é viver intensamente? 
Cá estou eu falando coisas tão pessoais. Será que devia? 
A todos os meus amigos sinceros desejo que amem, criem vínculos sólidos, tornem o tempo menos líquido, mais espesso e mais durável. 
Felicidades a todos!

2018/2019

2 Respostas to “Um Ano Novo”

  1. Jose renato da silva Says:

    Eliana, que bom ler seus escritos de sobre-humana intensidade em observar a vida em detalhes.
    Assim, podemos assimilar ainda mais os sentimentos contidos em palavras, que nos faltavam, para que nosso ciclo de vida seja ainda mais proveitoso, enquanto dure.

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